A festa do Palmeiras ao fim do jogo no Lincoln Financial Field deu a temperatura: a equipe acabara de vencer seu maior jogo ano. A boa atuação contra o Botafogo rendeu a vitória suada por 1 a 0, que levou a equipe de Abel Ferreira ao grupo dos oito melhores times da Copa do Mundo de Clubes.
Iniciar o mata-mata da competição contra um adversário conhecido trouxe uma carga emocional maior ao jogo. Adversários diretos pelos títulos nos últimos dois Brasileiros e na Libertadores, Verdão e Botafogo criaram uma rivalidade recente. Cair para um concorrente conhecido teria impacto maior.
E depois do desempenho ruim na maior parte do empate em 2 a 2 com o Inter Miami, o Palmeiras precisava de uma resposta. Abel Ferreira adotou uma estratégia mais ousada do que o esperado: colocou Allan como titular, assim como Mauricio, Emiliano Martínez e Vitor Roque.
Renato Paiva, técnico do Botafogo, havia dito que gostaria de ter mais posse de bola neste jogo, mas não foi o que aconteceu. Desde o início, o Verdão teve mais volume.
Quando fazia a saída de bola com três jogadores, Emiliano Martínez ficava no meio de Gustavo Gómez e Bruno Fuchs na primeira linha; Giay e Piquerez abriam na segunda linha, com Richard Ríos mais centralizado, enquanto Estêvão na esquerda, Allan na direita, e Vitor Roque e Mauricio por dentro formavam a última linha do Palmeiras.
A mudança de lado do camisa 41 foi outra novidade do Verdão para o jogo, com bons embates com Vitinho. Defensivamente, porém, teve momentos em que não baixou tanto, fazendo com que o Botafogo criasse seus lances de maior perigo no setor, em triangulações entre Marlon Freitas, Vitinho e Artur.
Mesmo com mais posse e presença no campo de ataque, a equipe de Abel encontrava dificuldade para fazer o goleiro John trabalhar. A melhor chance foi já nos acréscimos, com Richard Ríos.
Após o intervalo, mesmo sem trocas, o Palmeiras passou a encontrar brechas na defesa carioca. Estêvão parou em boa defesa de John, Mauricio também... a torcida alviverde, em maioria na Filadélfia, fazia barulho, mas ia ficando receosa, pois o Botafogo passou a colocar sangue novo no ataque
Abel respondeu com mudanças também pouco esperadas: optou por Luighi na vaga de Estêvão e Paulinho no lugar de Vitor Roque. Mayke entrou como ala, substituindo Allan para segurar Cuiabano, e o ritmo da equipe caiu.
Pela temperatura mais alta na Filadélfia, o desgaste e a carga emocional do jogo, as equipes passaram a ter mais dificuldades coletivas. Uma jogada individual poderia ser decisiva. E foi.
Paulinho, ainda sem condições de ser titular e já com cirurgia prevista após a competição, deu um drible para abrir raro clarão na área do Botafogo e mostrou por que é um dos atacantes mais brilhantes do Brasil: um toque cruzado, rasteiro, preciso, para enfim bater John: 1 a 0.