O Fluminense está preparado para enfrentar o Al-Hilal pelas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. O duelo, que acontece nesta sexta-feira, às 16h, no Camping World Stadium, em Orlando. Na coletiva antes da partida, Renato explicou o momento do segundo tempo contra a Inter de Milão que virou símbolo da liderança de Thiago Silva.
Durante a pausa para hidratação, o zagueiro sugeriu uma mudança tática ao técnico, que avaliou, debateu com o time e aceitou, colocando Everaldo e Lima para marcar os laterais adversários e deixando Arias, mais cansado, como referência na frente. Foi nessa formação que o time jogou os últimos 20 minutos e fez o segundo gol.
–É importante para o treinador ter esse tipo de jogador ou mais de um. Troco bastante ideia com meu grupo e dou essa liberdade para eles. O treinador não vê 100% o jogo. Às vezes o jogador está sentindo algo diferente no campo que pode colocar, ajudar e eu vou analisar ali na hora e ver se é o melhor ou não. Analisei e vi que era a melhor opção. No momento, não tinha pensado nisso porque tinha que sacrificar dois jogadores que não são da posição, mas tudo em prol do time. Às vezes quem está lá vê algo que o treinador não está vendo. Por isso é importante ter esse tipo de jogador, liderança para trocar ideias e ajeitar da melhor maneira. Eu monto o esquema, treino e pergunto se estão conscientes, felizes e aptos a jogar daquela forma. Não adianta montar esquema se o jogador não está feliz daquela forma. Vou muito pelo que eles gostam. Até então, todos eles gostaram apesar do pouco tempo explicou Renato
Os dois trabalharam juntos em 2007 e 2008, no próprio Fluminense, e ficaram com o vice-campeonato da Conmebol Libertadores. Voltaram a se encontrar no clube 17 anos depois e mostram entrosamento.
Renato Gaúcho chamou atenção nas oitavas de final com um esquema com três zagueiros, que nunca tinha utilizado na atual passagem pelo clube. Isso gerou a expectativa de alguma nova surpresa para a partida contra os sauditas. Ele se esquivou das perguntas sobre a formação do time, mas deu pistas do que espera do rival que tem muita velocidade no ataque comandado por Malcom e Marcos Leonardo.
- O esquema que montei para amanhã é da maneira que acho que podemos nos dar melhor. A gente sabe que o adversário tem muita velocidade, joga muito bem em contra-ataque. Analisei bem e dessa forma armei minha equipe. Esperamos neutralizar da melhor maneira o adversário. Dessa maneira que a gente pensa e que esperamos jogar amanhã - explicou.
O Fluminense precisa vencer o Al-Hilal para garantir uma vaga inédita para o Brasil na semifinal da Copa do Mundo de Clubes. Em caso de empate, a partida vai para a prorrogação. Mantida a igualdade, a vaga será definida na disputa de pênaltis. Veja outras respostas de Renato Gaúcho:
Como encontrar possibilidades para montar o Fluminense e superioridade financeira de rivais na Copa
- Aí, passa a ser o conhecimento do treinador. Falo que a gente respeita todos os nossos adversários dentro e fora do clube. Falei na outra (entrevista) coletiva que o futebol é decidido dentro do campo, e o que vale são as atitudes. Conheço muito bem o meu grupo, as características de cada jogador, o que podem ou não podem colocar dentro dos 90 minutos.
–O que vale mesmo são as conversas que tenho tido com eles, e tenho recebido uma confiança muito grande. Da maneira que armo o time, troco ideias com alguns jogadores para ver se estão se sentindo bem naquele esquema. Temos um ou dois (esquemas), já trouxemos dois do Brasil. Fizemos outro no último jogo, com três zagueiros.
–O esquema que eu montei pra amanhã é da maneira que eu acho que a gente pode se dar melhor, sabemos que jogam muito em contra-ataque e têm muita velocidade. Analisei bem o jogo deles contra o City, e dessa forma procurei armar minha equipe. Se vai dar certo ou não, não sei. Procuramos treinar pra neutralizar da melhor forma possível os nossos adversários, e que possamos ter sucesso da maneira que pensamos. É assim que vamos enfrentá-los amanhã.
Abraço apertado em Thiago Silva e reencontro no Fluminense após 2008
–Acima de tudo, (o abraço) representa a amizade que prevaleceu nesses anos todos, a admiração que um tem pelo outro. Não canso de ver o Thiago Silva jogar. É um líder, um treinador dentro do campo, é bonito vê-lo jogar e conduzir o time dentro das quatro linhas. Com o passar do tempo, a gente vai aprendendo. Lá atrás, ao menos na minha opinião, fizemos tudo certo e infelizmente perdemos aquela Libertadores.
- Depois de alguns anos, a gente se encontra novamente aqui no Fluminense. É um prazer trabalhar com ele. Tem nos ajudado bastante pela liderança dele. E vou além: na minha humilde opinião, ainda é um jogador de seleção brasileira, por tudo que representa. Espero que amanhã ele possa fazer mais uma vez uma grande partida. Tenho certeza que o nosso torcedor tá bastante feliz lá no Brasil, os que estão aqui também estão de parabéns pela força imensa que têm nos dado. O nosso prazer vai ser conduzir o time à próxima fase, dar de presente para a torcida. Esse é o nosso trabalho.
Fluminense com menos posse de bola em relação a oponentes na Copa do Mundo e contra-ataques do Al-Hilal
- A gente sempre trabalha com a bola, faço com que meu time jogue. Gosto dessa posse, e sem ela a gente marca e marca forte. Os dois melhores exemplos foram contra o Borussia e a Inter (de Milão). Sabemos do potencial do nosso adversário, eles gostam do contra-ataque, têm bastante velocidade. Por isso, estudei bastante e procurei armar o esquema para que pudéssemos neutralizar esse tipo de jogada.
- De maneira alguma vou deixar de jogar. É dessa forma que gosto de trabalhar com meus jogadores, que gosto da posse de bola, mas sempre com objetividade e em busca do gol. Óbvio que sem a bola, a gente vai marcar e procurar tirar os espaços do nosso adversário, e principalmente não dando espaço para eles. Acho que foi ali que o Manchester City teve problemas com eles (Al-Hilal), porque deu bastante espaço. Dessa forma que treinei meu time, para que pudéssemos dar o mínimo de espaço possível para que eles possam nos contratar.
Orientações de Thiago Silva
- É importante para o treinador ter esse tipo de jogador ou mais de um. Às vezes o capitão não é só aquele que usa a faixa. Tem outros jogadores que são líderes e ajudam bastante. Troco bastante ideia com meu grupo e dou essa liberdade para eles. O treinador não vê 100% o jogo. Às vezes o jogador está sentindo algo diferente no campo que pode colocar, ajudar e eu vou analisar ali na hora e ver se é o melhor ou não. Analisei e vi que era a melhor opção.
- Sacrifiquei o Everaldo de um lado e o Lima do outro. No momento, não tinha pensado nisso porque tinha que sacrificar dois jogadores que não são da posição, mas tudo em prol do time. Eu tenho minha comissão, jogadores em campo que são inteligentes. É importante ter essa liderança dentro de campo. Às vezes quem está lá vê algo que o treinador não está vendo.
- Por isso é importante ter esse tipo de jogador, liderança para trocar ideias e ajeitar da melhor maneira. Eu monto o esquema, treino e pergunto se estão conscientes, felizes e aptos a jogar daquela forma. Não adianta montar esquema se o jogador não está feliz daquela forma. Vou muito pelo que eles gostam. Até então, todos eles gostaram apesar do pouco tempo.
Discurso emocionado de Thiago Silva nos bastidores e desejo de "viver o agora"
- Acima de tudo, meus sentimentos à família desses dois garotos (Diogo Jota e André Silva), foi muito triste o que aconteceu. Costumo falar para as pessoas, e falo para a minha filha também, que na vida a gente só tem um pai e uma mãe, e a gente precisa valorizá-los muito. O que o Thiago falou foi importante, porque ele deu um recado que eu aprendi, e a gente aprende com os jogadores, de que precisamos viver imensamente as nossas vidas, dentro das regras.
- Se hoje estamos vivendo esse momento maravilhoso e mágico do Fluminense, precisamos continuar entrando na história do clube. E isso se faz conquistando (títulos). Amanhã temos uma oportunidade de colocar o clube numa semifinal de Copa do Mundo, os melhores clubes do mundo. A gente precisa, sim, viver esse momento, ter essa entrega.
- Não sabemos quando vamos ter uma outra oportunidade, se é que vamos ter. A entrega tem que ser 101%, não pode ser só 100%. É viver esse momento, e continuar sendo feliz é ter essas atitudes dentro do campo, não pode ficar dentro do vestiário. Espero que amanhã a gente possa ter uma tarde muito feliz, consiga nossos objetivos e continue sonhando esse sonho de uma maneira maravilhosa.
- A melhor equipe do mundo é a que ganha. O melhor esquema do mundo é o que ganha. O PSG é um time fortíssimo em todos os sentidos. O dinheiro é importante, mas o futebol é decidido dentro das quatro linhas. Não adianta ficar falando do PSG aqui agora porque temos um adversário fortíssimo amanhã. O PSG, atualmente por ter ganhado a Champions, está no topo.
- Temos outros grandes clubes no mundo que jogam grande futebol. Pode ser o favorito para vocês, mas tem muita coisa pela frente. Penso no meu time em buscar essa classificação para a semifinal. Aí vamos ver quem vamos enfrentar. Muitos clubes grandes ficaram pelo caminho e temos que valorizar quem está nas quartas. Eu falo que o Fluminense é o patinho feio entre esses todos que estão aí, em termos financeiros. Espero mostrar nossa força amanhã e chegar na final.
Cansaço de Arias e importância do colombiano em jogos grandes
- A cada partida, ele tem jogado melhor. Estava um pouco cansado no último jogo porque correu bastante, e também por causa do sol. Escolhi deixá-lo por dentro naquela situação que conversei com o Thiago (Silva), abri o Lima e o sacrifiquei um pouco porque não era a posição dele, assim como o Everaldo.
- Foram dois jogadores que vieram do banco e estavam mais descansados. Não adianta eu pedir nessas horas que o jogador tá bastante desgastado, colocá-lo ali e não conseguir desempenhar o papel que deveria, porque o lateral estava vindo toda hora. Coloquei ele por dentro, preocupando o zagueiro deles, e abri o Lima e o Everaldo. Já conseguiu se recuperar, tenho certeza que amanhã vai estar 100%.
- Acho que ele é o único jogador, junto com o Fábio e o Freytes, se não me engano, que jogou todos os minutos de todos os jogos. A cada três, quatro dias em campo, o desgaste psicológico do jogo, o desgaste das viagens sem muito tempo para recuperação... Tem horas em que tem que se pensar de melhor forma. Não adianta você ter um jogador que desequilibra dentro de campo, mas não está mais conseguindo correr. Até porque, de repente, pode ter uma lesão. Vamos ver da maneira que ele se comporta amanhã. Tem nos ajudado e feito a diferença, é dessa forma que espero que esteja amanhã também.
- São grandes jogadores, que tem ajudado bastante o time deles. Têm feito a diferença, são inteligentes. O lateral [Renan Lodi] é jogador de seleção. Conhecem o futebol brasileiro e vão ajudar o treinador deles em relação ao nosso time.
Importância do tempo de treino na Copa
- Trouxe bons fluídos em todos os sentidos. Parte física, técnica e tática. Deu para juntar o grupo, conhecer melhor as características do meus jogadores. Quando cheguei era uma loucura, jogo a cada três dias. Lá no Brasil, a gente diz que quando o treinador coloca o apito na boca o jogador já está tomando banho. Quando o treinador chega no vestiário, já foi para o carro ir embora.
- Aqui não, tem que ficar. Não tem para onde correr. Cria um laço familiar. Alguns deles estão com as famílias aí e eu libero para que fiquem com eles e com os filhos. Eles aprendem bastante coisa e eu também.
- Essa convivência é fundamental e faz com que levem essa amizade entre eles para dentro do campo. Tem dado certo, falo porque vejo nos treinamentos, no vestiário se abraçando e no jogo tendo aquela entrega, concentração. Eu falo, não pode dar um mole para o adversário. Essa evolução vem em todos os sentidos para todos nós. Essa Copa do Mundo tem feito muito bem não só para comissão técnica quanto para os jogadores. O amadurecimento que traz, técnico e tático.
Acha que Al-Hilal está mais próximo do futebol europeu ou espera nível de enfrentamento sul-americano?
- Condições financeiras eles têm, basta ver os números, mas volto a dizer que o futebol é decidido dentro de campo. Eles têm três brasileiros lá. Nós estamos sempre com dificuldades financeiras, e essa parte para eles sobra. A evolução deles tem sido muito grande, não sei até que ponto se for comparada com um clube europeu.
Fora de campo, com certeza, se bobear até mais. Mas dentro de campo, ainda não chega a ser um PSG, um Real Madrid, um Manchester City. Mas você vê que, no último jogo, fizeram uma grande partida contra o City. Se você fizesse uma aposta, dificilmente alguém iria apostar neles, mas mereceram a vitória. Souberam jogar aquele jogo. Na minha opinião, o City talvez os tenha menosprezado, achando que poderia ganhar a partida a qualquer momento.
- Quando acordaram, já era um pouco tarde. Foi isso que passei pro meu time: independente do adversário, nunca podemos menosprezar. Temos que estar focados e ligados o tempo todo, respeitando. Se eles chegaram... Não acharam um gol contra o City e ganharam por 1 a 0, fizeram quatro gols no City. E não é mole.
- Um adversário desses tem todo o respeito, pode ter certeza que estão crescendo bastante nessa competição. Amanhã, vai ser um grande duelo dentro de campo. Eles têm o mesmo objetivo de chegar na semifinal que a gente. Fora de campo, eles nos atropelam (financeiramente). Dentro de campo, são 11 contra 11.
FONTE/CRÉDITOS: Globo Esporte